quarta-feira , junho 16 2021
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Solidariedade e humanismo durante a pandemia

Por Luiz Carlos Motta

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Estamos chegando na metade do ano e os números sobre desemprego e fome continuam preocupantes. Além dos 14,8 milhões de desempregados, há 6 milhões de desalentados, ou seja, pessoas que gostariam de trabalhar, mas desistiram de procurar vaga, segundo o IBGE. A maior parte de quem conseguiu uma ocupação (81%) foi no mercado informal, de menores salários e condições mais precárias.
O reflexo deste cenário aparece em outro índice alarmante: aproximadamente 117 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar ou passando fome no Brasil, de acordo com a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. O número, que corresponde a mais da metade da população brasileira, engloba pessoas que não se alimentam como deveriam, com qualidade e em quantidade suficiente.
Além de ser o maior índice em 17 anos, é quase o dobro do registrado em 2018, quando o IBGE identificou 10 milhões de brasileiros nessa condição. A pesquisa atual mostrou que as mais vulneráveis são as mulheres de periferia, chefes de família, negras e com baixo nível de escolaridade.
Solidariedade
Diante desse quadro, gostaria de destacar o relevante papel desempenhado pelos sindicatos, principalmente os que representam a maior categoria profissional urbana do Brasil, os comerciários, que somam 12 milhões no país e 2,7 milhões só no Estado de São Paulo. Sou muito grato a essa categoria onde iniciei minhas atividades profissionais.
Neste período de pandemia, as ações solidárias praticadas pelos 71 Sindicatos filiados à Fecomerciários estão amenizando o sofrimento de milhares de famílias, muitas delas que perderam entes queridos para a Covid-19. Arrecadações e distribuições de alimentos não perecíveis aos necessitados avançam na base comerciária em grande número de cidades.
Como se trata de uma crise sanitária, a saúde tem ganhado atenção especial. Tem crescido o número de convênios com hospitais, consultórios médicos e laboratórios de análises clínicas, entre outros. Em Presidente Prudente, por exemplo, recente parceria permite a sócios e dependentes do Sincomerciários fazerem o teste para a Covid-19 com desconto.
Já o Sincomerciários de Rio Preto está prestes a encerrar, com sucesso, a campanha “Sangue Comerciário”, lançada em 1º de Maio (Dia do Trabalho) com o Hemocentro local, para completar os estoques em baixa. Os sócios que doam sangue recebem uma cesta básica do Sindicato. Além de solidário, o empenho dos nossos sindicatos é humanitário.
Esperança
Tenho encorajado lideranças sindicais de todos os segmentos a adotarem campanhas para aliviar o sofrimento das famílias que enfrentam dificuldades. Os desafios são enormes. Na Câmara Federal tenho apresentado Projetos de Lei e votado sim para todas as iniciativas que beneficiam os trabalhadores empregados, os desalentados, os desempregados, os segurados do INSS e os que não conseguem mais pagar os aluguéis. Por esse motivo, aprovei o Projeto de Lei que já está no Senado, que proíbe o despejo ou desocupação de imóveis até o fim do ano.
Ao mesmo tempo, tenho trabalhado incansavelmente para facilitar o acesso aos financiamentos para as micro, pequenas e médias empresas para que elas não fechem suas portas e continuem sendo responsáveis pela maior geração de empregos do país. As vacinas continuam chegando e, com elas, a esperança de que os empregos voltem e, com eles, a estabilidade das famílias e do Brasil.
Luiz Carlos Motta é deputado federal (PL/SP) e presidente da Fecomerciários e da CNTC.

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